terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Algemas da discórdia 3

Policiais negam acusações sobre prisão arbitrária de juiz

Segundo agentes da Core, juiz estaria "muito alterado" na hora da prisão. Advogado de defesa diz que caso tomou dimensão de disputa entre a Justiça e a polícia.
Aluizio Freire Do G1, no Rio

Os três policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), acusados de prender arbitrariamente o juiz federal Roberto Dantas Schuman, no dia 4 de fevereiro, na Lapa, Centro do Rio, negaram as acusações e afirmaram que o juiz foi algemado porque “estava muito alterado” e que teria xingado os policiais. As declarações foram feitas em depoimento ao juiz Marcello Granado, titular da 7ª Vara Federal Criminal. “Ele estava atravessando a rua falando ao celular e com uma lata de cerveja, sem olhar para os lados. Quando falamos 'tá maluco, quer morrer?' ele respondeu com um xingamento. Foi quando resolvemos parar e abordá-lo por desacato”, disse o policial Christiano Carvalho Veiga Mouta. Também foram ouvidos Marcelo Costa de Jesus e Bernadilson Ferreira de Castro. Todos negaram as acusações de que teriam usado de truculência com o magistrado e que o algemaram porque ele estaria alterado e gesticulando muito.

'Disputa institucional', argumenta advogado

O advogado dos três policiais, Rodrigo Roca, lamentou que o caso tenha ganhado uma dimensão de “disputa institucional entre a Justiça e a Polícia Civil”. “Existe claramente uma pressão da magistratura que se sente ofendida, como se houvesse uma violação propositada das prerrogativas dos juízes”, disse. Ele estranhou ainda a agilidade do processo, que em menos de um mês foi denunciado pelo Ministério Público e já está na fase de interrogatório. “Isso deveria ser motivo de aplausos, mas, casos desse tipo leva de seis meses a um ano até as pessoas começarem a ser ouvidas. A esperança é que o juiz Granado, que já foi defensor público, tenha equilíbrio para julgar a causa”.

Juízes apóiam magistrado

Juízes de direito, procuradores e representantes de entidades em defesa da magistratura lotaram o auditório da sede da Justiça Federal, na Cinelândia, no Centro do Rio, na quarta-feira (13), num ato de repúdio às ações de policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) acusados de cometer arbitrariedade contra o juiz federal Roberto Dantes Schuman de Paula.

Na terça-feira (12), a Justiça Federal determinou o afastamento das ruas dos policiais civis Cristiano Carvalho Veiga da Mouta, Marcelo Costa de Jesus e Bernadilson Ferreira de Castro, da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core).

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